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Conheça um pouco mais sobre a Beta-Talassemia

O  QUE É A TALASSEMIA?

A Talassemia é uma das doenças do sangue, chamadas hemoglobinopatias, e é caracterizada pela diminuição da produção de hemoglobina, proteína responsável por realizar o transporte do oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo, pelos glóbulos vermelhos (também chamados de hemácias). Além disso, a hemoglobina é responsável pela cor avermelhada do sangue (1) (Figura 1)

Vaso sanguíneo globulo vermelho molécula hemoglobina ferro ligação do oxigênio moléculas

Figura 1

QUAIS SÃO OS TIPOS DE TALASSEMIA?

A hemoglobina é composta por dois pares de cadeias de proteínas chamadas globinas. Normalmente, os adultos têm um par de cadeias alfa e um par de cadeias beta. Às vezes, uma ou mais dessas cadeias é anormal. As talassemias são classificadas de acordo com a cadeia de aminoácidos afetada (1,2). Existem dois tipos principais de talassemia:

  • A α-talassemia (ou alfa-talassemia)
  • A β-talassemia (ou beta-talassemia) 

Cada um desses dois tipos podem manifestar-se nas seguintes formas: 

  • Talassemia maior: forma grave da doença com sintomas mais importantes e que precisam de tratamento
  • Talassemia intermediária: sintomas variáveis, moderados a graves.
  • Talassemia menor: sintomas leves ou nenhum sintoma. 

Nos próximos tópicos discutiremos tudo sobre a beta-talassemia: causa, sintomas e formas de diagnóstico.

 

QUAL É A CAUSA DA DOENÇA?

A talassemia é uma doença genética e na grande maioria dos casos hereditária, isso significa que em geral para tê-la é preciso nascer com uma alteração genética que foi herdada dos pais. Em casos raros a alteração genética não é herdada de um dos pais (2, 3).

O sangue é formado por milhões de hemácias que carregam dentro delas a proteína hemoglobina. A hemoglobina é composta por 4 sub-unidades, sendo dois pares de globinas. Normalmente, os adultos têm um par de globinas alfa e um par de globinas beta (3) (Figura 1). 

Normalmente, os genes estão em pares, e se possui duas cópias (uma em cada cromossomo), herdadas do pai e da mãe. Para nascer com a beta-talassemia, uma criança deve herdar as duas cópias do gene defeituoso da beta globina (gene HBB), uma cópia da mãe e uma cópia do pai (possuir, portanto, uma mutação patogênica em homozigose, Figura 2). 

Ilustração transmissão da doença autossomica recessiva beta talassemia talassemico mae e pai afetado nao afetado

Figura 2

Existem vários tipos de mutações que causam a beta-talassemia, essas mutações podem ser classificadas de duas formas: talassemia beta mais (beta+) ou beta zero (beta 0). Mutações beta 0 são mais graves porque os portadores não são capazes de produzir a beta globina. Os portadores de mutações do tipo beta+ produzem beta globina, porém em níveis menores. Esses dois tipos de mutações só podem ser diferenciadas em testes genéticos (4, 5, 6).

Na beta-talassemia, quando apenas uma das cópias possui uma mutação, a cópia normal é suficiente para evitar uma anemia mais grave, e os pacientes são portadores de uma condição leve, conhecida como traço talassêmico (forma menor). Os portadores do traço não têm talassemia ou podem apresentar apenas anemia leve, mas há uma chance de que eles possam ter um filho com talassemia se o parceiro também for portador (Figura 2)(3).  

É importante ressaltar que a beta-talassemia não é causada por nada que os pais fizeram antes ou durante a gravidez, e você não pode pegá-la de alguém que tenha (não é contagiosa). Não é transmitida pelo sangue, ar, água, contato físico ou sexual e não é causada por deficiência na alimentação, carência de vitaminas ou sais minerais.

 

QUALQUER CASAL PODE TER UM FILHO COM BETA-TALASSEMIA?

A β-talassemia é herdada de maneira autossômica recessiva. Isto é, casais em que ambos os membros tem alguma forma da doença, incluindo o traço talassêmico, têm risco aumentado (até 25%) de ter filho(s) com as formas graves e intermediárias de beta-talassemia (Figura 2).

Mas é importante lembrar que muitas pessoas não sabem que possuem o traço talassêmico e só descobrem quando tem um filho com as formas mais graves da doença. 

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS ASSOCIADOS À DOENÇA?

A talassemia pode causar uma ampla gama de problemas de saúde, embora o tratamento possa ajudar a manter muitos deles sob controle. 

Os principais problemas de saúde associados à talassemia são:

 

  • Anemia e seus sintomas relacionados:
    • Cansaço intenso,
    • Fraqueza,
    • Falta de ar,
    • Batimentos cardíacos agitados ou irregulares (palpitações),
    • Pele pálida,
    • Amarelecimento da pele e olhos (icterícia)

 

Geralmente, são necessárias frequentes transfusões de sangue durante a vida para controlar a anemia grave. A maioria das pessoas com talassemia grave também corre o risco de desenvolver uma série de problemas de saúde causados pelo acúmulo de ferro no organismo, um efeito colateral comum causado pelas transfusões repetidas de sangue.

 

  • Excesso de ferro e seus sintomas relacionados:
    • Problemas cardíacos – incluindo problemas que afetam o músculo cardíaco (cardiomiopatia), batimentos cardíacos irregulares e insuficiência cardíaca
    • Inchaço e cicatrização do fígado (cirrose);
    • Puberdade atrasada;
    • Baixos níveis de estrogênio (em mulheres) ou testosterona (em homens);
    • Diabetes;
    • Problemas com a glândula tireóide (hipotireoidismo) e glândulas paratireóides (hipoparatireoidismo).

Às vezes, a talassemia maior ou outros tipos graves também podem causar vários outros problemas.

 

  • Outros sintomas:
    • Atraso no crescimento durante a infância;
    • Pequenas pedras na vesícula biliar (cálculos biliares), que podem causar inflamação da vesícula biliar (colecistite), dor de barriga (abdominal) e icterícia;
    • Crescimento ósseo incomum, como testa ou bochechas aumentadas;
    • Ossos fracos e frágeis (osteoporose);
    • Fertilidade reduzida – algumas pessoas com talassemia podem precisar de tratamento de fertilidade para ajudá-las a ter filhos.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA BETA-TALASSEMIA?

Diante da suspeita da doença o médico pode solicitar um hemograma. Mas a confirmação do diagnóstico da beta-talassemia é feita por eletroforese de hemoglobina, cromatografia líquida de alta performance (HPLC) ou por um exame genético. O exame genético é o único que consegue identificar o tipo de mutação que o paciente tem e por isso é o teste mais preciso para identificar a doença (3).

O diagnóstico precoce das formas mais graves e intermediárias da beta-talassemia é essencial para um tratamento adequado. Se não identificadas precocemente, constituem grave ameaça à vida dos pacientes. Por esse motivo o  ideal é que a doença seja identificada já em recém-nascidos assintomáticos. 

Pessoas com alterações para as formas menos graves (traço talassêmico), apesar de não manifestarem sinais da doença, devem ser identifi­cadas para receberem aconselhamento genético e orientação familiar. 

No Brasil a triagem neonatal da beta-talassemia é realizada por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). No teste básico oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conhecido popularmente como Teste do Pezinho, é possível identificar recém-nascidos com risco de desenvolver a doença junto com outras hemoglobinopatias. 

Entretanto, o diagnóstico final de talassemia beta menor ou traço talassêmico não é possível de ser feito pelo Teste do Pezinho, por isso, resultados positivos para a doença precisam ser seguidos por testes complementares (exemplo: exames genéticos) que confirmarão ou excluirão a doença (3, 4). 

 

POR QUE O TESTE DA BOCHECHINHA É IMPORTANTE PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE DA BETA-TALASSEMIA?

O Teste da Bochechinha é uma triagem genética neonatal que analisa mais de 310 doenças e inclui a beta-talassemia e outras hemoglobinopatias. O teste complementa o Teste do Pezinho básico oferecido pelo SUS e é mais completo que os testes do Pezinho ampliado, expandido e outros testes de triagem neonatal.  

O Bochechinha é um teste genético que analisa diretamente o DNA do bebê e, por esse motivo, consegue identificar o tipo de mutação no gene HBB que causa a doença.

Bebês com traço talassêmico com uma mutação do tipo beta+ podem ter resultados similares a bebê normais e podem não ser identificados no Teste do Pezinho convencional (4, 5, 6).

Por isso, é de enorme importância realizar o Teste da Bochechinha que é capaz de detectar todas as formas de beta-talassemia e identificar precisamente a mutação que causou a doença. Outra grande vantagem é que o Teste da Bochechinha pode ser realizado assim que o bebê nasce, antes mesmo de qualquer sinal clínico da doença.

A informação da mutação também é muito importante para o planejamento familiar já que outros familiares podem fazer um teste para saber se também são portadores das alterações no DNA identificada no bebê.

 

REFERÊNCIAS

  1. https://thalassaemia.org.cy/haemoglobin-disorders/thalassaemia/
  2. https://www.nhs.uk/conditions/
  3. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
  4. Origa R.β-Thalassemia.Genet Med. 2017 Jun;19(6):609-619.
  5. Origa R. Beta-Thalassemia. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1426/
  6. https://www.bluecrossnc.com/

O Teste da Bochechinha

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