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Glicogenoses: o que são e como são causadas?

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Texto por: Nathalia Taniguti

24/05/23

Entenda o que são glicogenoses, quais seus sintomas, causas, possibilidades de tratamentos e a importância da detecção precoce desse grupo de doenças.

As glicogenoses, também chamadas de doenças do armazenamento ou depósito do glicogênio, são um grupo de doenças genéticas hereditárias causadas pela deficiência de enzimas ou de proteínas de transporte envolvidas nas vias de síntese ou degradação do glicogênio.

Os tipos de glicogenoses são diferenciados pela proteína alterada, órgãos afetados, a idade em que se iniciam os sintomas e o prognóstico. A condição, geralmente, causa sintomas nos primeiros meses de vida e, por isso, a detecção precoce torna-se muito importante.

As glicogenoses são classificadas como erros inatos do metabolismo e resultam no mau funcionamento do metabolismo do glicogênio. A incidência geral desse grupo de doenças é estimada em 1 caso a cada 20 mil a 25 mil nascidos vivos.

 

O que é o glicogênio?

O glicogênio é um tipo de carboidrato que constitui uma importante forma de reserva de energia no corpo. Ele é armazenado principalmente no fígado e, quando há necessidade de produção de energia, enzimas específicas agem degradando o glicogênio em glicose, que é liberada no sangue. Em outra via metabólica, a glicose obtida pela alimentação pode formar moléculas de glicogênio, pela ação de outras enzimas.

 

O que causa as glicogenoses?

As glicogenoses são causadas por variantes patogênicas presentes em genes que codificam enzimas ou proteínas de transporte que atuam no metabolismo do glicogênio. 

Por causa dessas alterações genéticas, as enzimas se tornam deficientes (podendo ter atividade parcial ou não apresentar atividade) e o funcionamento da via metabólica é comprometido.

Como consequência, acontece um desequilíbrio na concentração ou um problema na estrutura do glicogênio formado, levando aos sintomas da doença.

 

Quais são os tipos de glicogenoses? 

De forma geral, as glicogenoses podem ser classificadas como glicogenoses hepáticas e musculares, já que o fígado e os músculos são as principais partes afetadas. 

As glicogenoses mais comuns são as dos tipos I, II (doença de Pompe), III e IV, sendo a glicogenose do tipo I a mais comum de todas, podendo corresponder a 25% dos casos

O quadro a seguir resume informações a respeito das glicogenoses que são avaliadas pelo Teste da Bochechinha.

Tabela com os genes, enzimas e nomes das glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha.

Quais são os sintomas das glicogenoses?

As glicogenoses apresentam um amplo espectro de sintomas, que podem se sobrepor nos diferentes tipos da doença. De forma geral, as glicogenoses hepáticas levam ao aumento do tamanho do fígado e causam quadros de hipoglicemia, já que o glicogênio se acumula nesse órgão e não é transformado em glicose. 

A hipoglicemia é um sintoma comum de outras condições e se caracteriza pelo baixo nível de glicose no sangue.

Já as glicogenoses musculares podem causar sintomas nos músculos esqueléticos, por exemplo, como fraqueza muscular.

 

Qual é a idade em que se iniciam os sintomas?

Geralmente os sintomas das glicogenoses dos tipos mais graves se iniciam ainda nos primeiros meses de vida e começo da infância. Já as glicogenoses menos graves podem permanecer assintomáticas até a idade adulta.

O quadro a seguir resume alguns dos sintomas presentes nas glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha.

Sintomas das Glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha

 

Glicogenose Tipo 0: hipoglicemia de jejum e cetose, hiperglicemia, hiperlactacidemia e hiperlipidemia pós-prandial. Ausência de hepatomegalia.

Glicogenose Tipo IA:  hipoglicemia, hepatomegalia, retardo no crescimento,  acidose láctica, hiperuricemia e hiperlipidemia.

Glicogenose Tipo IB: sintomas semelhantes ao tipo IA, com neutropenia e possibilidade de infecções bacterianas recorrentes, e doença inflamatória intestinal.

Glicogenose Tipo II: na infância pode incluir hipotonia, dificuldade de sucção e cardiomiopatia. Na idade adulta, doença muscular progressiva, cardiomiopatia e dificuldades respiratórias. 

Glicogenose Tipo III: hepatomegalia, hipoglicemia cetótica, retardo no crescimento e elevação de enzimas hepáticas. Pode ocorrer fraqueza muscular e cardiomiopatia. 

Glicogenose Tipo IV: hepatomegalia, retardo do crescimento e cirrose.

Glicogenose Tipo VI: hepatomegalia, retardo do crescimento, hipoglicemia e hiperlipidemia (sintomas podem ser menos graves).

Glicogenose Tipo IX: é variável e pode incluir hepatomegalia, hipoglicemia cetótica ao jejum, elevação das enzimas hepáticas, retardo do crescimento, hipotonia muscular, hiperlipidemia e cirrose. 

Glicogenose Tipo XI: hipoglicemia e hiperlipidemia de jejum, déficit de crescimento, raquitismo e distensão abdominal pelo aumento do fígado e rins.

Glicogenose Tipo XII: miopatia, anemia hemolítica, atraso mental, estatura baixa e eventos de rabdomiólise com febre. 

O quadro resume os principais sintomas das glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha. Fonte: Demczko, M. 2021, ABGLICO 2019, Kara, E. et al. 2021.

 

Quais são os tratamentos para as glicogenoses?

O tratamento para as glicogenoses varia de acordo com o paciente e o tipo da doença, buscando diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida do indivíduo. O tratamento nutricional é uma opção importante, principalmente para evitar os eventos de hipoglicemia associados à doença. 

O quadro a seguir resume alguns dos tratamentos para as glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha. Todo tratamento deve ser recomendado e acompanhado por um médico.

 

Tratamento das Glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha

 

Glicogenose Tipo 0: dieta rica em proteínas e com carboidratos complexos de baixo índice glicêmico; uso noturno de amido de milho cru.

Glicogenose Tipo IA: restrição de galactose, frutose, lactose e sacarose, e uso de amido de milho cru.

Glicogenose Tipo IB: semelhante ao tipo IA e com tratamento para neutropenia e doença inflamatória intestinal, se necessário.

Glicogenose Tipo II: fisioterapia motora e respiratória, terapia de reposição enzimática.

Glicogenose Tipo III: dieta rica em proteínas, restrição de sacarose e uso de amido de milho cru. 

Glicogenose Tipo IV: em casos graves de cirrose pode ser recomendado o transplante de fígado.

Glicogenose Tipo VI: em casos sintomáticos pode-se aumentar a ingestão de carboidratos, ter alimentação frequente e adotar uma dieta rica em proteínas.

Glicogenose Tipo IX: dieta rica em proteínas, evitar sacarose e usar amido de milho cru. 

Glicogenose Tipo XI: dieta com poucos carboidratos e rica em proteínas, ingestão limitada de frutose, reposição de eletrólitos. 

Glicogenose Tipo XII: controle da anemia e, se necessário, uso de antitérmicos para febre e dor.

O quadro resume alguns dos tratamentos para as glicogenoses avaliadas pelo Teste da Bochechinha. Fonte: Demczko, M. 2021, ABGLICO 2019.

 

Como é feito o diagnóstico das glicogenoses?

O diagnóstico das glicogenoses se baseia principalmente nas manifestações clínicas apresentadas pelo paciente, assim como nos resultados de exames, como exames de sangue, urina, ultrassom, e análises de amostras de tecido do fígado e muscular (biópsia). 

As glicogenoses, no entanto, podem ser um desafio para serem diagnosticadas. Dado o grande espectro de sintomas que apresentam, elas podem ser confundidas com outras doenças e, até mesmo, com os diferentes tipos de glicogenoses.  

Testes genéticos são importantes pois permitem identificar com precisão uma variante genética, possibilitando um diagnóstico preciso do tipo de glicogenose que o paciente tem, direcionando o melhor tratamento e proporcionando o aconselhamento genético da família.

A identificação precoce das glicogenoses é essencial para iniciar prontamente o acompanhamento médico e o tratamento adequado, diminuindo a gravidade do quadro e aumentando a expectativa e qualidade de vida do paciente.

 

Glicogenoses e o Teste da Bochechinha

O Teste da Bochechinha, triagem neonatal genética criada pelo laboratório Mendelics, avalia através do sequenciamento de nova geração (NGS) os genes associados a mais de 340 doenças tratáveis, incluindo diferentes tipos de glicogenoses.

Com a identificação precoce, antes mesmo dos sintomas aparecerem, o recém-nascido pode ser acompanhado pelo médico e iniciar os tratamentos rapidamente, diminuindo os riscos de complicações da doença.

A triagem neonatal salva vidas!

 

Tenho um paciente com suspeita de glicogenose. Posso solicitar o Teste da Bochechinha para confirmar o diagnóstico?

Não. Em casos de recém-nascidos ou pessoas de qualquer idade que apresentem sintomas de glicogenoses, o médico pode solicitar um exame de diagnóstico genético para confirmar ou não a suspeita clínica.

 

Tem alguma dúvida sobre as glicogenoses ou sobre o Teste da Bochechinha? Deixe nos comentários ou entre em contato conosco pelo site ou pelo telefone (11) 5096-6001. 

É médico e quer oferecer o Teste da Bochechinha em sua clínica, maternidade ou hospital? Converse com a gente e seja nosso parceiro.

 

Revisão

O que são as glicogenoses?

As glicogenoses, também chamadas de doenças do armazenamento ou depósito do glicogênio, são um grupo de doenças genéticas hereditárias causadas pela deficiência de enzimas ou de proteínas de transporte envolvidas nas vias de síntese ou degradação do glicogênio.

Quais são os sintomas das glicogenoses?

As glicogenoses apresentam um amplo espectro de sintomas. De forma geral, as glicogenoses hepáticas levam ao aumento do tamanho do fígado e causam quadros de hipoglicemia. Já as glicogenoses musculares podem causar sintomas nos músculos esqueléticos, por exemplo, como fraqueza muscular.

Como é o diagnóstico das glicogenoses?

O diagnóstico das glicogenoses se baseia principalmente nas manifestações clínicas apresentadas pelo paciente, assim como nos resultados de exames, como exames de sangue, ultrassom e biópsia do fígado e tecido muscular. Testes genéticos são importantes pois permitem identificar com precisão uma variante genética, possibilitando um diagnóstico preciso do tipo de glicogenose que o paciente tem.


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