Início » Doenças e Tratamentos » Você conhece a Hiperplasia Adrenal Congênita?

Você conhece a Hiperplasia Adrenal Congênita?

12 de agosto de 2021

Você conhece a Hiperplasia Adrenal Congênita?

Início » Doenças e Tratamentos » Você conhece a Hiperplasia Adrenal Congênita?

12 de agosto de 2021

O que é a Hiperplasia Adrenal Congênita?

Hiperplasia adrenal congênita (HAC) é um grupo de doenças genéticas que afetam as glândulas suprarrenais, responsáveis ​​por liberar vários hormônios necessários para o perfeito funcionamento do corpo, como os corticosteróides, mineralocorticóides, e os andrógenos, os hormônios sexuais masculinos, como a testosterona.

Pessoas com HAC não possuem enzimas que as glândulas suprarrenais precisam para produzir esses hormônios, por isso, seu organismo não é capaz de produzi-los e, para compensar essa perda, produz de forma exagerada outro tipo de precursor de hormônio.

A incidência no Brasil é estimada em 1:10.000 a 1:18.000 nascidos vivos.

Existem dois tipos principais de HAC:

HAC Clássica

Forma mais rara e grave, é geralmente detectada ainda na infância. É subdividida em duas formas: forma perdedora de sal e virilizante simples ou “não perdedora de sal”.

Apesar dos sinais e sintomas se manifestarem diferentemente em cada pessoa, muitos indivíduos com HAC clássica apresentam aumento anormal das glândulas suprarrenais (adrenomegalia hiperplásica), produzindo quantidades excessivas de andrógenos.

Isso causa um desenvolvimento sexual anormal nas mulheres, que podem apresentar genitália ambígua (dificuldade de diferenciação entre as genitálias masculina e feminina) ao nascimento. 

Homens com o mesmo tipo de HAC não apresentam genitália ambígua, contudo, ambos os sexos podem apresentar outros sintomas, como início precoce da puberdade, rápido crescimento corporal durante a infância mas com conclusão prematura do crescimento, levando à baixa estatura, se não forem diagnosticados e tratados precocemente.

 

HAC Não Clássica

Forma mais branda e comum. Normalmente, não há sintomas ao nascimento. Essa forma não é identificada na triagem de sangue infantil de rotina. 

Pessoas com formas mais leves da doença podem não ser diagnosticadas até a adolescência ou a idade adulta, quando experimentam sinais precoces de problemas de puberdade ou fertilidade, como ausência ou irregularidades na menstruação, excesso de pelo, voz grave e acne severa nas mulheres. 

 

Qual é a causa da Hiperplasia Adrenal Congênita?

O grupo de doenças que constituem a HAC podem ser causadas por alterações (mutações) em vários genes diferentes: 

A causa mais comum de HAC (cerca de 90% dos casos) é a falta da enzima conhecida como 21-hidroxilase. A deficiência de 21-hidroxilase, outro nome para a HAC, é causada por mutações no gene CYP21A2.

As outras causas, menos frequentes, são: 

  • A deficiência de 3-beta-hidroxisteróide desidrogenase, causada por mutações no gene HSD3B2.
  • A deficiência de 17-hidroxilase, causada por mutações no gene CYP17A1.
  • A deficiência de 11-beta-hidroxilase, causada por mutações no gene CYP11B1.
  • A hiperplasia adrenal lipóide congênita, causada por mutações no gene STAR.
  • A deficiência de oxidoredutase do citocromo P450, causada por mutações no gene POR.

 

Como a Hiperplasia Adrenal Congênita é herdada?

Todas as formas de HAC são herdadas de maneira autossômica recessiva. 

Isso significa que, para ter a doença, o bebê deve herdar uma mutação em ambas as cópias do gene responsável em cada célula, uma cópia mutada do gene do pai e outra da mãe.

Os pais de uma criança com HAC só possuem uma cópia do gene mutado cada um e são chamados de portadores.

Portadores de uma doença autossômica recessiva, como a HAC, normalmente não apresentam sinais ou sintomas, mas precisam ser identificados para conhecerem os riscos de terem filhos com HAC.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A HAC faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, o Teste do Pezinho. No Teste do Pezinho é realizado o diagnóstico presuntivo da HAC através da quantificação de 17-hidroxi-progesterona (17-OHP) no sangue e, caso positivo, é seguido de testes confirmatórios no soro (Radioimunoensaio ou espectrometria de massa e ionograma).

Na população brasileira, a causa mais comum de HAC é a deficiência enzimática da 21-hidroxilase (corresponde por ~90% dos casos clássicos de HAC), seguida da 17-alfa-hidroxilase, e por último, a 11-beta-hidroxilase, forma muito rara.

A HAC não clássica não é detectada na triagem neonatal e muitas vezes não há suspeita até que os sinais e sintomas da doença comecem a aparecer mais tarde na infância ou no início da idade adulta. Nesses casos, o diagnóstico de HAC é geralmente baseado nos sintomas clínicos e em exames de sangue e urina que medem os níveis hormonais. 

O diagnóstico molecular através do teste genético é capaz de identificar as mutações causadoras de HAC, independente da gravidade da doença. Além disso, o teste genético auxilia o aconselhamento genético da família, planejamento de futuros filhos dos pais e da criança. 

A análise dos genes HSD3B2, CYP17A1, CYP11B1, STAR, que causam a HAC, e de outros genes associados a mais 320 doenças está inclusa no Teste da Bochechinha, o primeiro teste de triagem neonatal genética do Brasil, desenvolvido pelo laboratório Mendelics

É importante ressaltar que exames de diagnóstico só podem ser realizados mediante solicitação e acompanhamento médico.

Converse com o seu médico e entre em contato com nossa equipe para mais informações.

 

Como é feito o tratamento da doença?

A HAC não tem cura, mas possui tratamento, que se for feito no período e na forma adequada garante uma vida normal para as pessoas afetadas. 

As opções de tratamento para HAC dependem de muitos fatores, incluindo o tipo de HAC, qual enzima está deficiente e os sinais e sintomas presentes em cada pessoa. 

O tratamento da HAC clássica começa logo após o nascimento e é necessário ao longo da vida do paciente, exigindo uma equipe de profissionais de saúde, incluindo especialistas em endocrinologia pediátrica, cirurgia uro-ginecológica (para meninas),  acompanhamento psicológico e aconselhamento genético.

Geralmente é realizada suplementação com hormônios durante toda a vida. 

O diagnóstico e, consequentemente, o início precoce do tratamento melhoram os sintomas e a qualidade de vida das crianças com HAC. 

 

Por que o Teste da Bochechinha é importante para o diagnóstico precoce da Hiperplasia Adrenal Congênita?

Diferentes mutações em diferentes genes causam a HAC. A análise dos genes HSD3B2, CYP17A1, CYP11B1, STAR, que causam a HAC, e de outros genes associados a mais 320 doenças está inclusa no Teste da Bochechinha, o único teste de triagem neonatal no Brasil capaz de identificar a doença em recém-nascidos. 

Para isso utilizamos a moderna técnica de sequenciamento de nova geração (NGS) que analisa diretamente o DNA do bebê e, por isso, consegue identificar alterações que causam a doença.

 O Teste da Bochechinha pode ser realizado assim que o bebê nasce, antes mesmo do aparecimento de qualquer sinal clínico da doença. Além disso, a coleta é muito simples, feita com um cotonete swab.

Bebês com alto risco de desenvolver HAC podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da HAC. Quanto mais cedo diagnóstico e o início do tratamento, maior a qualidade de vida da criança.

Além disso, bebês identificados como portadores de uma mutação que causa o HAC podem passar por um aconselhamento genético para entender o risco de ter um futuro filho com HAC. 


Referências

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/triagem_neonatal_biologica_manual_tecnico.pdf

https://www.saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-da-triagem-neonatal/hiperplasia-adrenal-congenita-hac#:~:text=O%20diagn%C3%B3stico%20presuntivo%20da%20HAC,enzim%C3%A1tica%20(total%20ou%20parcial).

https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/1467/congenital-adrenal-hyperplasia

https://rarediseases.org/rare-diseases/congenital-adrenal-hyperplasia/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1171/

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22106c-GPA_-_Hiperplasia_Adrenal_Congenita-TriagemNeonatal.pdf

 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Examen Primer Día